Fiquei pensando nas cidades pequenas.Na segurança que ainda nos resta nas cidades pequenas.Senti necessidade de contar essa minha experiência real:
Certa vez, há aproximadamente uns três anos atrás, não aguentando a sensação de insegurança que sentia, naquele momento em relação ao Rio de Janeiro,embarquei numa aventura dessas.
Me mudar para uma cidade pequena, onde,afinal, não precisaria ter medo.
Ia para uma das fronteiras do Brasil com Uruguai.Não era propriamente livramento, a cidade que faz a divisa, mas ali na região.
A tensão que se manifestava no vôo Rio-Montevideu, podia tomar um assento no vôo, tão real e palpável.
As pessoas, normalmente ,caladas, riam e brincavam, nervosas, ansiosas para poderem respirar longe do Rio de Janeiro.
Depois de desembarcar em Porto-Alegre, tive que pegar um ônibus para me levar lá.Foram mais cinco horas de viagem.Como sempre faço nessas horas, para me distrair peguei um livro, me lembro até hoje, não pude lê-lo: era a casa das sete mulheres.
Sabia, que os costumes seriam diferentes, que teria que me adaptar, ceder em muitas coisas.
Mas afinal ,seria livre da tão falada violência! Estava investindo em qualidade de vida!
Não podia imaginar que me esperava:Não havia um cinema na cidade, Não havia que se fazer, pouquíssimos restaurantes e umas três churrascarias, típicas faziam a festa o lugar, nenhum shopping, nada.
para se conseguir determinado livro, se não contasse com a sorte de ter na única livraria do lugar, teria quese encomendar pela livraria ou pela internet, todos sabemos, nos dois casos demoravam 5 dias para chegar.
Não tinha vida, o lugar.
A sensação que eu tinha é que estava num Túnel do Tempo , de volta á 1920 ou 30 mais ou menos.
Nós que vivemos em Metrópoles, cidades grandes,não temos idéia do que é a vida , o dia-a -dia,numa cidade dessas.
O choque cultural foi tão monstruoso, que voltei para o Rio de Janeiro violento e cheio de defeitos em três meses.
E voltei ávida pelo burburinho, pelas coisas, pela gente daqui.. precisava respirar gente ,era o que eu repetia, sempre.
As pessoas, a cidade e próprio lugar me ensinaram muito, lições profundas, que até hoje não me saem da cabeça e sempre que posso recorro á elas.
Devo reconhecer, que devo muito á essa gente boa, que me acolheu tão bem, e que me proporcionaram paz.
Mas esse preço é alto demais, não posso pagar!
mil beijocas
Ioko